ESPIROMETRIA 
Do latim spirare, respirar e metrum, medida, a espirometria é um exame que permite aferir o volume de ar inspirado e expirado, assim como os fluxos respiratórios, também conhecido como exame do sopro.
É um dos testes de função pulmonar (TFP), tem grande utilidade para diagnóstico, estadiamento, orientação terapêutica e acompanhamento de pacientes. Sendo importante procurar documentar, medir e usar critérios definitivos para diagnóstico e tratamento das pneumopatias, é fundamental mensurar as variáveis funcionais pulmonares de interesse. Sua indicação não se restringe às pneumopatias, estendendo-se também a outras doenças que podem interferir na função pulmonar, como as de origem cardíaca, ortopédica, reumatológica e neurológica.
INDICAÇÕES
Há indicações bem definidas, conforme se descreve a seguir:
- Fumantes com idade superior a 40 anos.
- Exposição ambiental, existe a Norma Reguladora Número 7 (NR7) do Ministério do Trabalho para realização de exames periódicos em trabalhadores expostos a produtos aereodispersíveis.
- Perícia médica pneumológica, avaliação de incapacidade pulmonar.
- Investigação pneumológica:
- Sintomas e sinais : dispnéia, sibilância, tosse, cianose, policitemia;
- Pneumopatias intersticiais difusas;
- Avaliação da resposta ao broncodilatador;
- Monitorização de tratamento: asma, DPOC, infiltrações pulmonares difusas, cirurgia de recuperação funcional, transplante, reabilitação pulmonar.
- Doenças sistêmicas (colagenoses).
- Anormalidades extrapulmonares, como por exemplo, cifoescoliose, pectus excavatum, doenças neuromusculares, obesidade, insuficiência cardíaca.
- Avaliação do risco cirúrgico.
- Avaliação do desempenho físico dos atletas.
2. PRINCÍPIOS DO TESTE E VARIÁVEIS MEDIDAS
O exame espirométrico baseia-se na medida de volumes e fluxos , particularmente os expiratórios. É indispensável que o paciente faça esforço máximo durante as manobras para a obtenção da capacidade vital forçada.
Os resultados do teste são confrontados com valores previstos de normalidade provenientes de tabelas ou de equações obtidas de um número razoável de indivíduos de um grupo populacional representativo sem doenças pulmonares e não-fumantes. Estes valores previstos variam conforme o gênero, a idade, a estatura e o peso do indivíduo testado.
3. CONDIÇÕES PARA REALIZAÇÃO DA ESPIROMETRIA
- Não usar broncodilatador antes do exame.
- Não apresentar condições que constituam contra-indicação como hemoptise, dor torácica ou abdominal, dispnéia importante (por exemplo de repouso), mau estado clínico, traqueostomizados, pneumotórax, angina instável, aneurisma, cirurgia ocular recente, náuseas ou vômitos severos ou quaisquer outros motivos que, por interferirem na realização e na confiabilidade do exame, devem ser avaliados individualmente.
3. TÉCNICA
De início, o técnico deve dar explicações genéricas sobre o que vai ser feito durante o exame, para diminuir alguma apreensão do paciente. No momento apropriado, explicará como serão feitas as várias manobras e movimentos respiratórios. Recomenda-se que se faça uma simulação destes movimentos e manobras, de modo que o paciente entenda perfeitamente o que deverá fazer.
O teste é realizado com o paciente sentado, seguindo os seguintes passos:
- Colocação de clipe nasal e acoplamento dos lábios ao bocal do espirômetro, hermeticamente;
- Inicialmente respiração normal. Logo após o final de uma expiração, solicitar que realize inspiração forçada máxima, seguida, sem interrupção, de expiração rápida e forçada durante no mínimo seis segundos.
- Quando a colaboração é adquada e os primeiros três testes são satisfatórios, passe ao teste com broncodilatador. Em caso contrário, insiste-se em realizar sucessivos testes, não ultrapassando a oitava tentativa.
4. COMENTÁRIOS
- A técnica do exame é fundamental e imprescindível para correta interpretação dos resultados.
- Quando os dados obtidos apresentam falhas na execução (pouco esforço, término precoce), o técnico deve informar ao médico sobre estas ocorrências para que sejam incluídos comentários pertinentes na interpretação.
- Os dados funcionais devem ser analisados dentro do conjunto do paciente, procurando-se estabelecer correlação clínica, radiológica e funcional.
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